sábado, 28 de maio de 2011

"LITURGIA DOMINICAL" 29/05/2011

PRIMEIRA LEITURA (ATOS DOS APÓSTOLOS 8,5-8.14-17)
29 de Maio de 2011 - 6º Domingo da Páscoa


Leitura dos Atos dos Apóstolos: Naqueles dias, 5 Filipe desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo. 6 As multidões seguiam com atenção as coisas que Filipe dizia. E todos unânimes o escutavam, pois viam os milagres que ele fazia. 7 De muitos possessos saíam os espíritos maus, dando grandes gritos. Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados. 8 Era grande a alegria naquela cidade. 14 Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, souberam que a Samaria acolhera a Palavra de Deus, e enviaram lá Pedro e João. 15 Chegando ali oraram pelos habitantes da Samaria, para que recebessem o Espírito Santo. 16 Porque o Espírito ainda não viera sobre nenhum deles; apenas tinham recebido o batismo em nome do Senhor Jesus. 17 Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.


- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.


SALMO (SALMOS 65)
29 de Maio de 2011 - 6º Domingo da Páscoa


— Aleluia, aleluia, aleluia!
— Aleluia, aleluia, aleluia!


— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,/ cantai salmos a seu nome glorioso,/ dai a Deus a mais sublime louvação!/ Dizei a Deus: “Como são grandes vossas obras!
— Toda a terra vos adore com respeito/ e proclame o louvor de vosso nome!”/ Vinde ver todas as obras do Senhor:/ seus prodígios estupendos entre os homens!
— O mar ele mudou em terra firme,/ e passaram pelo rio a pé enxuto./ Exultemos de alegria no Senhor!/ Ele domina para sempre com poder!
— Todos vós, que a Deus temeis, vinde escutar:/ vou contar-vos todo bem que ele me fez!/ Bendito seja o Senhor Deus que me escutou,/ não rejeitou minha oração e meu clamor,/ nem afastou longe de mim o seu amor!


SEGUNDA LEITURA (1º PEDRO 3,15-18)
29 de Maio de 2011 - 6º Domingo da Páscoa


Leitura da Primeira Carta de São Pedro: Caríssimos: 15 Santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir. 16 Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência. Então, se em alguma coisa fordes difamados, ficarão com vergonha aqueles que ultrajam o vosso bom procedimento em Cristo. 17 Pois será melhor sofrer praticando o bem, se esta for a vontade de Deus, do que praticando o mal. 18 Com efeito, também Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo, pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito.


- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

EVANGELHO (JOÃO 14,15-21)
29 de Maio de 2011 - 6º Domingo da Páscoa


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 15 Se me amais, guardareis os meus mandamentos, 16 e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: 17 o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. 18 Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. 19 Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. 20 Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós. 21 Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.


- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Lectio Divina, Domingo, 29 de maio de 2011 - Sexto Domingo da Páscoa –

Ciclo A
Qua, 25 de Maio de 2011 11:34

A tua palavra é lâmpada para guiar os meus passos, é luz que ilumina o meu caminho (Salmo 119.105)
TEXTO BÍBLICO: João 14.15-21
Jesus promete o Espírito Santo
15 Jesus continuou:
— Se vocês me amam, obedeçam aos meus mandamentos. 16 Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre. 17 O mundo não pode receber esse Espírito porque não o pode ver, nem conhecer. Mas vocês o conhecem porque ele está com vocês e viverá em vocês.
18 — Não vou deixá-los abandonados, mas voltarei para ficar com vocês. 19 Daqui a pouco o mundo não me verá mais, mas vocês me verão. E, porque eu vivo, vocês também viverão. 20 Quando chegar aquele dia, vocês ficarão sabendo que eu estou no meu Pai e que vocês estão em mim, assim como eu estou em vocês.
21 — A pessoa que aceita e obedece aos meus mandamentos prova que me ama. E a pessoa que me ama será amada pelo meu Pai, e eu também a amarei e lhe mostrarei quem sou.
1 – LEITURA
Que diz o texto?
Pistas para leitura
Olá, Lectionautas!
Ao chegar ao sexto Domingo de Páscoa, encontramo-nos com Jesus, que promete enviar a seus discípulos o Espírito Santo, aquele que consolará seu povo, o Paráclito (que significa ‘advogado’), como será chamado também em outras traduções.
Esta será a primeira de cinco oportunidades nas quais Jesus promete a seus discípulos que lhes deixará o Espírito Santo: podemos encontrar as outras quatro se lermos os capítulos subsequentes a este, no Evangelho de João.
Jesus começa este texto ensinando a condição primordial para receber o Espírito Santo: “Se vocês me amam, observem meus mandamentos”. Desta forma, ele convida seus discípulos a demonstrar o amor que eles têm manifestado por ele, mas não apenas da boca para fora, mas com seus atos: neste caso, vivendo segundo seus mandamentos.
Jesus faz esta promessa de enviar o Espírito Santo porque sabe de antemão que seus discípulos estão tristes, preocupados ou desconsolados, perante a ideia de sua partida iminente, e este Espírito indicar-lhes-á o caminho correto que agora devem seguir.
“Eles lhes ensinará toda a verdade”. Para os discípulos, a partida de Jesus será um momento muito difícil, porque já não contarão com a presença de seu mestre, não poderão ir buscar uma resposta a suas incógnitas, a seus temores ou a suas dúvidas; não haverá quem lhes diga qual é a verdade. Por isso, Jesus esclarece que este Espírito é quem lhes ensinará, então, a verdade.
Amigos lectionautas, Jesus oferece uma chave muito importante neste texto: “Os que pertencem a este mundo não poderão vê-lo, os que pertencem a este mundo não poderão receber o Espírito”. Viver segundo as normas ou mandamentos deste mundo afastaria os discípulos do Espírito de Deus.
Contudo, por que os discípulos podem ver o Espírito? Como é que Ele está no meio deles? Porque é o Espírito de Jesus mesmo que lhes será dado, é o próprio Cristo quem habitará neles, serão um com Ele e Ele estará neles. Por isso é que a Escritura diz: “Vocês, porém, conhecem-no, porque está com vocês, e sempre estará no meio de vocês”.
É muito importante saber que hoje nos encontramos diante da dimensão trinitária de Deus, o Pai, em sua condição de criador; do Filho, em sua condição de Redentor, e do Espírito, em sua condição de Advogado e Consolador. A Santíssima Trindade é um dos maiores e mais incompreensíveis mistérios perante os olhos humanos. Como três pessoas diferentes podem ser um mesmo Deus? Somente com os olhos da fé é que os discípulos poderão acreditar nesta verdade.
Mais uma vez o texto faz referência à importância da obediência à vontade do Pai. Diz a Escritura: “Aquele que me obedece e faz o que eu mando, demonstra que me ama de verdade”. Devemos observar a insistência do evangelista em ressaltar a importância de cumprir a vontade de Jesus.
Somente vivendo segundo as exigências de Cristo é que os discípulos poderão receber o Espírito Santo e conhecer, pois, a verdade. Com isto, demonstrarão também seu amor a Deus, podendo, então, ver as coisas segundo os olhos de Deus, permitindo que Jesus se lhes dê a conhecer plenamente.

Para levar em consideração:
• O Espírito Santo manifesta-se de diferentes maneiras, e se doa a nós de acordo com a vontade do Pai.
• Outros textos bíblicos a serem comparados: 1 João 5.3; Mateus 28.20; Atos, 10.40-41.
• Para continuar o aprofundamento destes temas, pode-se consultar A Bíblia de Estudo NTLH, o verbete: OBEDIÊNCIA.
Perguntas para a leitura
• Como se deve demonstrar o amor a Deus?
• Quem receberá o Espírito Santo?
• Como se reconhece a verdade?
• Que acontece com os que vivem segundo o mundo?
• Que deviam fazer os Discípulos para serem um com Cristo?
• Quem são os que podem ver o Senhor?
2 – MEDITAÇÃO
O que o texto me diz? O que o texto nos diz?
Diante deste texto tão importante, devemos perguntar-nos: Como estamos vivendo nossa vida de discipulado de Cristo? Não podemos deixar passar em branco o fato de que Jesus, hoje, nos está chamando a viver em obediência a seus mandamentos, em uma vida de santidade. Somente desta forma podemos converter-nos em pessoas agradáveis a Deus.
No entanto, é muito importante que possamos questionar se nossos atos estão sendo iluminados pelo Espírito de Deus; devemos ver cada situação de nossas vidas, e diferençar em que momentos de nosso agir este Espírito é quem no guia. Devemos orar e perguntar-nos se realmente vivemos deixando que seja Cristo a atuar em nós.
Viver segundo o mundo não nos permite ser verdadeiros discípulos do Senhor; a contrário, separa-nos das palavras de Jesus: “Eu serei um com vocês”.
Amigo lectionauta, somente a vida guiada pelo Espírito Santo é a que pode agradar a Deus. Hoje é uma oportunidade maravilhosa para reservar-nos um momento de nossa existência, e assim podermos questionar-nos: de que maneira vivo meu discipulado – com o espírito de Deus ou com o Espírito do mundo?
Não nos esqueçamos de que Jesus “chamou os que Ele quis”, e que, de igual modo, hoje continuar a chamar muitos de nós para mostrar-se como Ele é, para ensinar-nos o caminho da verdade.
3 – ORAÇÃO
O que lhe digo? O que lhe dizemos?
É chegada a hora de responder ao Pai; este é o momento de abrir nosso coração a Jesus e deixar-nos guiar por seu Espírito, dirigindo-lhe a oração que brota de nosso coração.
Senhor, apresento-me diante de ti, para louvar-te, para agradecer-te por teu amor.
Obrigado por amar-me, por ensinar-me o que queres de mim; grato por seres meu amigo, por me mostrares o caminho a seguir a fim de agradar-te.
Dá-me, Senhor, um espírito como o teu, para poder fazer tua vontade; concede-me força, Senhor, para cumprir teus mandamentos.
Senhor, sou teu e te amo, e me consagro a ti, entrego-me todo inteiro a ti.
Dá-me fortaleza para afastar de mim tudo o que me convida a não seguir-te, tudo o que me chama a não ser como tu.
Senhor, sou teu e te amo…
4 – CONTEMPLAÇÃO
Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?
Chegados ao momento culminante de nossa Lectio Divina, contemplemos Jesus que nos convida a ser um com Ele, e repitamos mais uma vez:
Senhor, sou teu e te amo…
Senhor, sou teu e me deixo amar por ti…
Senhor, quero ser um só contigo…
Senhor, sou teu e te amo…
Envia-me, Senhor, teu Espírito…
Quero preparar-me para receber teu Santo Espírito…
Esta semana, cada vez que estivermos em um momento de oração, em um momento de conversa com Deus, repitamos muitas vezes esta frase: “Senhor, sou teu e te amo…” “Envia-me, Senhor, teu Espírito…”.
5 – AÇÃO
A que me comprometo? A que nos comprometemos?
Propostas pessoais
• Volta a estudar os mandamentos que Cristo nos deixou e, à luz deles, podes comparar tua vida e ver em quais deves melhorar; faze-te um propósito de emenda.
• Cuida para que cada um dos teus atos seja discernido à partir da luz do Espírito de Deus, e diante de cada situação de tua vida, pergunta-te: Qual seria a melhor maneira de agradar a Deus neste momento?
Propostas comunitárias
• Estudar em teu grupo de jovens os mandamentos de Cristo e os mandamentos da Igreja, a fim de compará-los com o agir de teu grupo juvenil.
• Busca junto a todos os membros de teu grupo a maneira de deixar-se guiar pelo Espírito de Deus, a fim de levar uma vida guiada pelo Espírito de Cristo.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Em Maio, Nossa Senhora curou Santa Teresinha!‏

Partilhamos este testemunho escrito pela Santa Teresinha, de como sua vida foi salva pela intercessão de Nossa Senhora, para que sempre aumente em nós a confiança na Mãe do Céu!
"No dia 13 de maio de 1883, domingo de Pentecostes, durante a novena da Missa, minha irmã Maria dirigindo-se ao jardim, deixou-me com Leônia, que lia perto da janela. Ao cabo de alguns minutos, pus-me a chamar, quase em surdina:
"Maria! Maria! Mamãe!".
Habituada a ouvir-me sempre chamar assim, Leônia não me deu atenção; pensou que eu chamasse a minha irmã, Maria. Isso durou muito tempo. Então, chamei mais forte, e por fim, minha irmã Maria retornou. Vi perfeitamente quando entrou, mas não conseguia dizer que a reconhecia, continuando a chamar cada vez mais forte: "Mamãe... Maria, Maria!"
Eu padecia muito naquela luta violenta e inexplicável, e Maria, minha irmãzinha, talvez sofresse mais do que eu. Após esforços frustrados para mostrar que estava ao meu lado, para que eu a reconhecesse, ela se dirigiu à Leônia, sussurrou-lhe algumas palavras, e tornou a sair, pálida e trêmula.
Minha pequena Leônia logo me acompanhou até a janela; então, sem reconhecê-la de imediato, eu a vi no jardim. Ela caminhava suavemente, estendendo-me os braços e chamando-me com a voz plena de ternura:
"Teresa, minha pequena Teresa!"
Esta última tentativa, não tendo resultado em nada, pois eu continuava inerte, fazia minha irmã querida, chorar, ajoelhada junto à minha cama, onde já estavam Leônia e Celina. As três, voltando-se para a Mãezinha do Céu, e rezando-lhe com o fervor de uma mãe que pede pela vida de um filho, suplicavam-lhe que me curasse. Foi um tal grito de fé, que acabou forçando a porta do Céu.
Não tendo encontrado nenhum socorro na terra e, prestes a morrer de dor, eu também me voltei para a Mãezinha do Céu, rezando-lhe com todo o meu coração, pedindo-lhe que tivesse pena de mim.
De repente, a estátua da Virgem Maria tomou vida. A Mãe Santíssima me apareceu bela, tão bela!...
Eu jamais encontrarei uma expressão que pudesse definir esta divina formosura, esta beleza incrível. Seu rosto irradiava inefável bondade e ternura, mas o que me calou no fundo da alma foi o sorriso que tinha nos lábios; encantador, arrebatador! Todos os meus sofrimentos se desvaneceram. As lágrimas corriam fartas, de minhas pálpebras, deslizando silenciosamente pela face...
Eram lágrimas de uma alegria celeste e sem inquietação! A Virgem Santíssima caminhou em minha direção! Ela sorriu para mim... Como estou feliz! Mas, nunca, jamais contarei isso a alguém, porque, então, desapareceria a minha felicidade.

Sem nenhum esforço, baixei os olhos, e reconheci, então, minha irmã querida, Maria! Ela me observava com amor, parecia emocionada e parecia estar duvidando da grande graça que eu acabara de receber.

Oh! Era exatamente a ela, às suas edificantes orações que eu devia a graça do sorriso da Rainha dos Céus. Quando viu meu olhar fito na Santíssima Virgem, disse de si para si:
"Teresa está curada!"

Sim, a florzinha ia renascer para a vida, o Raio luminoso do doce sol que a reanimara, também a aquecera e a libertara do cruel inimigo! "O inverno sombrio terminara, as chuvas se foram, Teresa estava curada". E a florzinha da Virgem Maria estava tão fortalecida que cinco anos mais tarde, desabrochou na montanha fértil do Carmelo" (Santa Teresinha do Menino Jesus, História de uma alma, capítulo III).
Quarta-feira da 5ª Semana da Páscoa


1) Oração

Ó Deus, que amais e restituís a inocência,
orientai para vós os nossos corações,
para que jamais se afastem da luz da verdade
os que tirastes das trevas da descrença.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 15,1-8)

3) Reflexão - Jo 15,1-8

* Os Capítulos 15 até 17 do Evangelho de João trazem vários ensinamentos de Jesus que o evangelista juntou e colocou aqui no contexto amigo e fraterno do último encontro de Jesus com seus discípulos:
Jo 15,1-17: Reflexões em torno da parábola da videira
Jo 15,18 a 16,4a: Conselhos sobre a maneira de como comportar-se quando forem perseguidos
Jo 16,4b-15: Promessa sobre a vinda do Espírito Santo
Jo 16,16-33: Reflexões sobre a despedida e o retorno de Jesus
Jo 17,1-26: O Testamento de Jesus em forma de oração
* Os Evangelhos de hoje e de amanhã trazem uma parte da reflexão de Jesus em torno da parábola da videira. Para entender bem todo o alcance desta parábola, é importante estudar bem as palavras que Jesus usou. Igualmente importante é você observar de perto uma videira ou uma planta qualquer para ver como ela cresce e como acontece a ligação entre o tronco e os ramos, e como o fruto nasce do tronco e dos ramos.
* João 15,1-2: Jesus apresenta a comparação da videira
No Antigo Testamento, a imagem da videira indicava o povo de Israel (Is 5,1-2). O povo era como uma videira que Deus plantou com muito carinho nas encostas das montanhas da Palestina (Sl 80,9-12). Mas a videira não correspondeu ao que Deus esperava. Em vez de uvas boas deu um fruto azedo que não prestava para nada (Is 5,3-4). Jesus é a nova videira, a verdadeira. Numa única frase ele nos entrega toda a comparação. Ele diz: "Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo em mim que não produz fruto, ele o corta. E todo ramo que produz fruto, ele o poda!". A poda é dolorosa, mas é necessária. Ela purifica a videira, para que cresça e produza mais frutos.
* João 15,3-6: Jesus explica e aplica a parábola
Os discípulos já são puros. Já foram podados pela palavra que ouviram de Jesus. Até hoje, Deus faz a poda em nós através da sua Palavra que nos chega pela Bíblia e por tantos outros meios. Jesus alarga a parábola e diz: "Eu sou a videira e vocês são os ramos!" Não se trata de duas coisas distintas: de um lado a videira, do outro, os ramos. Não! Videira sem ramos não existe. Nós somos parte de Jesus. Jesus é o todo. Para que um ramo possa produzir fruto, deve estar unido à videira. Só assim consegue receber a seiva. "Sem mim vocês não podem fazer nada!" Ramo que não produz fruto é cortado. Ele seca e é recolhido para ser queimado. Não serve para mais nada, nem para lenha!
* João 15,7-8: Permanecer no amor.
Nosso modelo é aquilo que Jesus mesmo viveu no seu relacionamento com o Pai. Ele diz: "Assim como o Pai me amou, também eu amei vocês. Permaneçam no meu amor!" Ele insiste em dizer que devemos permanecer nele e que as palavras dele devem permanecer em nós. E chega a dizer: "Se vocês permanecerem em mim e minhas palavras permanecerem em vocês, aí podem pedir qualquer coisa e vocês o terão!" Pois o que o Pai mais quer é que nos tornemos discípulos e discípulas de Jesus e, assim, produzamos muito fruto.

4) Para confronto pessoal
1. Quais as podas ou momentos difíceis, que já passei na minha vida e que me ajudaram a crescer? Quais as podas ou momentos difíceis, que passamos na nossa comunidade e nos ajudaram a crescer?
2) O que mantém a planta unida e viva, capaz de dar frutos, é a seiva que a percorre. Qual é a seiva que percorre nossa comunidade a mantém viva, capaz de produzir frutos?

5) Oração final
Cantai ao Senhor um canto novo,
Cantai ao Senhor em toda a terra.
Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome. (Sl 95, 1)










Quinta-feira da 5ª Semana da Páscoa


1) Oração

Ó Deus, vossa graça nos santificou
quando éramos pecadores
e nos deu a felicidade, quando infelizes.
Vinde em socorro das vossas criaturas
e sustentai-nos com vossos dons,
para que não falte a força da perseverança
àqueles a quem destes a graça da fé.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 15,9-11)

3) Reflexão - Jo 15,9-11

* A reflexão em torno da parábola da videira compreende os versículos 1 a 17. Ontem meditamos os versículos 1 a 8. Hoje meditamos os versículos 9 a 11. Depois de amanhã, o evangelho do dia salta os versículos 12 a 17 e retoma no versículo 18, que já traz outro assunto. Por isso, incluímos hoje um breve comentário dos versículos 12 a 17, pois é nestes versículos que desabrocha a flor e que a parábola da videira mostra toda a sua beleza.,
* O evangelho de hoje é de apenas três versículos, que dão continuidade ao evangelho de ontem e trazendo mais luz para aplicar a comparação da videira à vida das comunidades. A comunidade é como uma videira. Ela passa por momentos difíceis. É o momento da poda, momento necessário para que produza mais frutos.
* João 15,9-11: Permanecer no amor, fonte da perfeita alegria.
Jesus permanece no amor do Pai observando os mandamentos que dele recebeu. Nós permanecemos no amor de Jesus observando os mandamentos que ele nos deixou. E devemos observá-los com a mesma medida com que ele observou os mandamentos do Pai: “Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor”. É nesta união de amor do Pai e de Jesus que está a fonte da verdadeira alegria: “Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa”.
* João 15,12-13: Amar os irmãos como ele nos amou.
O mandamento de Jesus é um só: "amar-nos uns aos outros como ele nos amou!" (Jo 15,12). Jesus ultrapassa o Antigo Testamento. O critério antigo era: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 18,19). O novo critério é: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Aqui ele disse aquela frase que cantamos até hoje: "Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!"
* João 15,14-15 Amigos e não empregados
"Vocês serão meus amigos se praticarem o que eu mando", a saber, a prática do amor até a doação total de si! Em seguida, Jesus coloca um ideal altíssimo para a vida dos discípulos e das discípulas. Eles diz: "Não chamo vocês de empregados mas de amigos. Pois o empregado não sabe o que faz o seu patrão. Chamo vocês de amigos, porque tudo que ouvi do meu Pai contei para vocês!" Jesus não tinha mais segredos para os seus discípulos e suas discípulas. Tudo que ouviu do Pai contou para nós! Este é o ideal bonito da vida em comunidade: chegarmos à total transparência, ao ponto de não haver mais segredos entre nós e de podermos confiar totalmente um no outro, de podermos partilhar a experiência que temos de Deus e da vida e, assim, enriquecer-nos mutuamente. Os primeiros cristãos conseguiram realizar este ideal durante alguns anos. Eles "eram um só coração e uma só alma" (At 4,32; 1,14; 2,42.46).
* João 15,16-17: Foi Jesus que nos escolheu
Não fomos nós que escolhemos Jesus. Foi ele que nos encontrou, nos chamou e nos deu a missão de ir e dar fruto, fruto que permaneça. Nós precisamos dele, mas ele também quer precisar de nós e do nosso trabalho para poder continuar fazendo hoje o que fez para o povo na Galiléia. A última recomendação: "Isto vos mando: amai-vos uns aos outros!"
* O Símbolo da Videira na Bíblia.
O povo da Bíblia cultivava videiras e produzia bom vinho. A colheita da uva era uma festa, com cantos e danças. Foi daí que se originou o cântico da vinha, usado pelo profeta Isaías. Ele compara o povo de Israel com uma videira (Is 5,1-7; 27,2-5; Sl 80,9-19). Antes dele, o profeta Oséias já tinha comparado Israel a uma vinha exuberante que quanto mais produzia frutos, mais multiplicava suas idolatrias (Os 10,1). Este tema foi também utilizado por Jeremias, que comparou Israel a uma vinha bastarda (Jr 2,21), da qual seriam arrancados os ramos (Jr 5,10; 6,9). Jeremias usa estes símbolos porque ele mesmo teve uma vinha que foi pisada e devastada pelos invasores (Jr 12,10). Durante o cativeiro da Babilônia, Ezequiel usou o símbolo da videira para denunciar a infidelidade do povo de Israel. Ele contou três parábolas sobre a videira: 1) A videira queimada que já não serve mais para coisa alguma (Ez 15,1-8); 2) A videira falsa plantada e protegida por duas águias, símbolos dos reis da Babilônia e do Egito, inimigos de Israel (Ez 17,1-10). 3) A videira destruída pelo vento oriental, imagem do cativeiro da Babilônia (Ez 19,10-14). A comparação da videira foi usada por Jesus em várias parábolas: os trabalhadores da vinha (Mt 21,1-16); os dois filhos que devem trabalhar na vinha (Mt 21,33-32); os que arrendaram uma vinha, não pagaram ao dono, espancaram seus servos e mataram seu filho (Mt 21,33-45); a figueira estéril plantada na vinha (Lc 13,6-9); a videira e os ramos (Jo 15,1-17).

4) Para confronto pessoal
1. Somos amigos e não empregados. Como vivo isto no meu relacionamento com as pessoas?
2. Amar como Jesus nos amou. Como cresce em mim este ideal do amor?

5) Oração final

Dia após dia anunciai sua salvação,
manifestai a sua glória entre as nações,
e entre os povos do universo seus prodígios! (Sl 95, 3)











Sexta-feira da 5ª Semana da Páscoa


1) Oração

Preparai, ó Deus, nossos corações
para vivermos dignamente os mistérios pascais
a fim de que esta celebração realizada com alegria
nos proteja por sua força inesgotável
e nos comunique a salvação.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho segundo Marcos (Jo 15, 12-17)


3) Reflexão – Jo 15, 12-17


4) Para confronto pessoal
.

5) Oração final

Eu te louvarei entre os povos, Senhor,
a ti cantarei hinos entre as nações,
porque tua bondade é grande até o céu,
e tua fidelidade até as nuvens. (Sl 56, 10-11).
























Sábado da 5ª Semana da Páscoa

1) Oração
Deus eterno e todo-poderoso,
vós nos fizestes participar de vossa própria vida
pelo novo nascimento do batismo;
conduzi à plenitude da glória
a quem concedestes, pela justificação,
o dom da imortalidade.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 15,18-21)

3) Reflexão - Jo 15,18-21

* João 15,18-19: O ódio do mundo.
"Se o mundo odiar vocês, saibam que odiou primeiro a mim”. O cristão que segue Jesus é chamado a viver na contramão da sociedade. Num mundo organizado a partir dos interesses egoístas de pessoas e grupos, quem procura viver e irradiar o amor será crucificado. Este foi o destino de Jesus. Por isso, quando um cristão ou uma cristã é muito elogiado pelos poderes deste mundo e é exaltado como modelo para todos pelos meios de comunicação, convém desconfiar sempre um pouco. “Se vocês fossem do mundo, o mundo amaria o que é dele. Mas o mundo odiará vocês, porque vocês não são do mundo, pois eu escolhi vocês e os tirei do mundo”. Foi a escolha de Jesus que nos separou. É baseando-nos nesta escolha ou vocação gratuita de Jesus que teremos força para aguentar a perseguição e a calúnia, e que poderemos ter a alegria no meio das dificuldades.
* João 15,20: O servo não é maior que o seu senhor.
“Nenhum empregado é maior do que seu patrão. Se perseguiram a mim, vão perseguir vocês também; se guardaram a minha palavra, vão guardar também a palavra de vocês”. Jesus já tinha insistido neste mesmo ponto no lava-pés (Jo 13,16) e no discurso da Missão (Mt 10,24-25). E é esta identificação com Jesus que, ao longo dos séculos, deu tanta força às pessoas para continuar na caminhada e foi fonte de experiência mística para muitos santos e santas mártires.
* João 15,21: Perseguição por causa de Jesus.
“Farão isso a vocês por causa de meu nome, pois não reconhecem aquele que me enviou”. A insistência repetida dos evangelhos em lembrar aquelas palavras de Jesus que possam ajudar as comunidades a entender o porquê das crises e das perseguições, é um sinal evidente de que nossos irmãos e irmãs das primeiras comunidades não tiveram uma vida fácil. Desde a perseguição de Nero em 64 depois de Cristo até o fim do primeiro século, eles viviam na eminência de poderem ser perseguidos, acusados, aprisionados e mortos a qualquer momento. A força que os sustentava era a certeza que Jesus comunicava de que Deus estava com eles.

4) Para confronto pessoal
1) Jesus se dirige a mim e me diz: Se você fosse do mundo, o mundo amaria o que é dele. Como aplico isto na minha vida?
2) Dentro de mim existem as duas tendências: o mundo e o evangelho. Qual dos dois está levando vantagem?
5) Oração final
Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, sua bondade perdura para sempre,
seu amor fiel eternamente! (Sl 99, 5)

terça-feira, 24 de maio de 2011

LECTIO DIVINA

Terça-feira da 5ª Semana da Páscoa


1) Oração

Ó Deus, que pela ressurreição do Cristo
nos renovais para a vida eterna,
dai ao vosso povo constância na fé e na esperança,
para que jamais duvide das vossas promessas.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 14,27-31a)

3) Reflexão - Jo 14,27-31a

* Aqui, em Jo 14,27, começa a despedida de Jesus e no fim do capítulo 14, ele encerra a conversa dizendo: "Levantem! Vamos embora daqui!" (Jo 14,31). Mas, em vez de sair da sala, Jesus continua falando por mais três capítulos: 15, 16 e 17. Se você pular estes três capítulos, você vai encontrar no começo do capítulo 18 a seguinte frase: "Tendo dito isto, Jesus foi com seus discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia ali um jardim onde entrou com seus discípulos" (Jo 18,1). Em Jo 18,1, está a continuação de Jo 14,31. O Evangelho de João é como um prédio bonito que foi sendo construído lentamente, pedaço por pedaço, tijolo por tijolo. Aqui e acolá, ficaram sinais destes remanejamentos. De qualquer maneira, todos os textos, todos os tijolos, fazem parte do edifício e são Palavra de Deus para nós.
* João 14,27: O dom da Paz.
Jesus comunica a sua paz aos discípulos. A mesma paz será dada depois da ressurreição (Jo 20,19). Esta paz é mais uma expressão da manifestação do Pai, de que Jesus tinha falado antes (Jo 14,21). A paz de Jesus é a fonte da alegria que ele nos comunica (Jo 15,11; 16,20.22.24; 17,13). É uma paz diferente da paz que o mundo dá, diferente da Pax Romana. Naquele fim do primeiro século a Pax Romana era mantida pela força das armas e pela repressão violenta contra os movimentos rebeldes. A Pax Romana garantia a desigualdade institucionalizada entre cidadãos romanos e escravos. Esta não é a paz do Reino de Deus. A Paz que Jesus comunica é o que no AT se chama Shalôm. É a organização completa de toda a vida em torno dos valores da justiça, fraternidade e igualdade.
* João 14,28-29: O motivo por que Jesus volta ao Pai.
Jesus volta ao Pai para poder retornar em seguida. Ele dirá a Madalena: “Não me segure, porque ainda não subi para o Pai “ (Jo 20,17). Subindo para o Pai, ele voltará através do Espírito que nos enviará (cf Jo 20,22). Sem o retorno ao Pai ele não poderá estar conosco através do seu Espírito.
* João 14,30-31a: Para que o mundo saiba que amo o Pai.
Jesus está encerrando a última conversa com os discípulos. O príncipe deste mundo vai tomar conta do destino de Jesus. Jesus vai ser morto. Na realidade, o Príncipe, o tentador, o diabo, nada pode contra Jesus. Jesus faz em tudo o que lhe ordena o Pai. O mundo vai saber que Jesus ama o Pai. Este é o grande e único testemunho de Jesus que pode levar o mundo a crer nele. No anúncio da Boa Nova não se trata de divulgar uma doutrina, nem de impor um direito canônico, nem de unir todos numa organização. Trata-se, antes de tudo, de viver e de irradiar aquilo que o ser humano mais deseja e tem de mais profundo dentro de si: o amor. Sem isto, a doutrina, o direito, a celebração não passa de peruca em cabeça calva.
* João 14,31b: Levantem e vamos embora daqui.
São as últimas palavras de Jesus, expressão da sua decisão de ser obediente ao Pai e de revelar o seu amor. Na eucaristia, na hora da consagração, em alguns países se diz: “Na véspera da sua paixão, voluntariamente aceita”. Jesus diz em outro lugar: “O Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la de novo. Ninguém tira a minha vida; eu a dou livremente. Tenho poder de dar a vida e tenho poder de retomá-la. Esse é o mandamento que recebi do meu Pai” (Jo 10,17-18).

4) Para confronto pessoal
1) Jesus disse: “Dou-vos a minha paz”. Como contribuo para a construção da paz na minha família e na minha comunidade?
2) Olhando no espelho da obediência de Jesus ao Pai, em que ponto eu poderia melhorar a minha obediência ao Pai?

5) Oração final

Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem,
e os vossos santos com louvores vos bendigam!
Narrem a glória e o esplendor do vosso reino
e saibam proclamar vosso poder! (Sl 144, 10-11)


Quarta-feira da 5ª Semana da Páscoa


1) Oração

Ó Deus, que amais e restituís a inocência,
orientai para vós os nossos corações,
para que jamais se afastem da luz da verdade
os que tirastes das trevas da descrença.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 15,1-8)

3) Reflexão - Jo 15,1-8

* Os Capítulos 15 até 17 do Evangelho de João trazem vários ensinamentos de Jesus que o evangelista juntou e colocou aqui no contexto amigo e fraterno do último encontro de Jesus com seus discípulos:
Jo 15,1-17: Reflexões em torno da parábola da videira
Jo 15,18 a 16,4a: Conselhos sobre a maneira de como comportar-se quando forem perseguidos
Jo 16,4b-15: Promessa sobre a vinda do Espírito Santo
Jo 16,16-33: Reflexões sobre a despedida e o retorno de Jesus
Jo 17,1-26: O Testamento de Jesus em forma de oração
* Os Evangelhos de hoje e de amanhã trazem uma parte da reflexão de Jesus em torno da parábola da videira. Para entender bem todo o alcance desta parábola, é importante estudar bem as palavras que Jesus usou. Igualmente importante é você observar de perto uma videira ou uma planta qualquer para ver como ela cresce e como acontece a ligação entre o tronco e os ramos, e como o fruto nasce do tronco e dos ramos.
* João 15,1-2: Jesus apresenta a comparação da videira
No Antigo Testamento, a imagem da videira indicava o povo de Israel (Is 5,1-2). O povo era como uma videira que Deus plantou com muito carinho nas encostas das montanhas da Palestina (Sl 80,9-12). Mas a videira não correspondeu ao que Deus esperava. Em vez de uvas boas deu um fruto azedo que não prestava para nada (Is 5,3-4). Jesus é a nova videira, a verdadeira. Numa única frase ele nos entrega toda a comparação. Ele diz: "Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo em mim que não produz fruto, ele o corta. E todo ramo que produz fruto, ele o poda!". A poda é dolorosa, mas é necessária. Ela purifica a videira, para que cresça e produza mais frutos.
* João 15,3-6: Jesus explica e aplica a parábola
Os discípulos já são puros. Já foram podados pela palavra que ouviram de Jesus. Até hoje, Deus faz a poda em nós através da sua Palavra que nos chega pela Bíblia e por tantos outros meios. Jesus alarga a parábola e diz: "Eu sou a videira e vocês são os ramos!" Não se trata de duas coisas distintas: de um lado a videira, do outro, os ramos. Não! Videira sem ramos não existe. Nós somos parte de Jesus. Jesus é o todo. Para que um ramo possa produzir fruto, deve estar unido à videira. Só assim consegue receber a seiva. "Sem mim vocês não podem fazer nada!" Ramo que não produz fruto é cortado. Ele seca e é recolhido para ser queimado. Não serve para mais nada, nem para lenha!
* João 15,7-8: Permanecer no amor.
Nosso modelo é aquilo que Jesus mesmo viveu no seu relacionamento com o Pai. Ele diz: "Assim como o Pai me amou, também eu amei vocês. Permaneçam no meu amor!" Ele insiste em dizer que devemos permanecer nele e que as palavras dele devem permanecer em nós. E chega a dizer: "Se vocês permanecerem em mim e minhas palavras permanecerem em vocês, aí podem pedir qualquer coisa e vocês o terão!" Pois o que o Pai mais quer é que nos tornemos discípulos e discípulas de Jesus e, assim, produzamos muito fruto.

4) Para confronto pessoal
1. Quais as podas ou momentos difíceis, que já passei na minha vida e que me ajudaram a crescer? Quais as podas ou momentos difíceis, que passamos na nossa comunidade e nos ajudaram a crescer?
2) O que mantém a planta unida e viva, capaz de dar frutos, é a seiva que a percorre. Qual é a seiva que percorre nossa comunidade a mantém viva, capaz de produzir frutos?

5) Oração final
Cantai ao Senhor um canto novo,
Cantai ao Senhor em toda a terra.
Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome. (Sl 95, 1)










Quinta-feira da 5ª Semana da Páscoa


1) Oração

Ó Deus, vossa graça nos santificou
quando éramos pecadores
e nos deu a felicidade, quando infelizes.
Vinde em socorro das vossas criaturas
e sustentai-nos com vossos dons,
para que não falte a força da perseverança
àqueles a quem destes a graça da fé.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 15,9-11)

3) Reflexão - Jo 15,9-11

* A reflexão em torno da parábola da videira compreende os versículos 1 a 17. Ontem meditamos os versículos 1 a 8. Hoje meditamos os versículos 9 a 11. Depois de amanhã, o evangelho do dia salta os versículos 12 a 17 e retoma no versículo 18, que já traz outro assunto. Por isso, incluímos hoje um breve comentário dos versículos 12 a 17, pois é nestes versículos que desabrocha a flor e que a parábola da videira mostra toda a sua beleza.,
* O evangelho de hoje é de apenas três versículos, que dão continuidade ao evangelho de ontem e trazendo mais luz para aplicar a comparação da videira à vida das comunidades. A comunidade é como uma videira. Ela passa por momentos difíceis. É o momento da poda, momento necessário para que produza mais frutos.
* João 15,9-11: Permanecer no amor, fonte da perfeita alegria.
Jesus permanece no amor do Pai observando os mandamentos que dele recebeu. Nós permanecemos no amor de Jesus observando os mandamentos que ele nos deixou. E devemos observá-los com a mesma medida com que ele observou os mandamentos do Pai: “Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor”. É nesta união de amor do Pai e de Jesus que está a fonte da verdadeira alegria: “Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa”.
* João 15,12-13: Amar os irmãos como ele nos amou.
O mandamento de Jesus é um só: "amar-nos uns aos outros como ele nos amou!" (Jo 15,12). Jesus ultrapassa o Antigo Testamento. O critério antigo era: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 18,19). O novo critério é: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Aqui ele disse aquela frase que cantamos até hoje: "Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!"
* João 15,14-15 Amigos e não empregados
"Vocês serão meus amigos se praticarem o que eu mando", a saber, a prática do amor até a doação total de si! Em seguida, Jesus coloca um ideal altíssimo para a vida dos discípulos e das discípulas. Eles diz: "Não chamo vocês de empregados mas de amigos. Pois o empregado não sabe o que faz o seu patrão. Chamo vocês de amigos, porque tudo que ouvi do meu Pai contei para vocês!" Jesus não tinha mais segredos para os seus discípulos e suas discípulas. Tudo que ouviu do Pai contou para nós! Este é o ideal bonito da vida em comunidade: chegarmos à total transparência, ao ponto de não haver mais segredos entre nós e de podermos confiar totalmente um no outro, de podermos partilhar a experiência que temos de Deus e da vida e, assim, enriquecer-nos mutuamente. Os primeiros cristãos conseguiram realizar este ideal durante alguns anos. Eles "eram um só coração e uma só alma" (At 4,32; 1,14; 2,42.46).
* João 15,16-17: Foi Jesus que nos escolheu
Não fomos nós que escolhemos Jesus. Foi ele que nos encontrou, nos chamou e nos deu a missão de ir e dar fruto, fruto que permaneça. Nós precisamos dele, mas ele também quer precisar de nós e do nosso trabalho para poder continuar fazendo hoje o que fez para o povo na Galiléia. A última recomendação: "Isto vos mando: amai-vos uns aos outros!"
* O Símbolo da Videira na Bíblia.
O povo da Bíblia cultivava videiras e produzia bom vinho. A colheita da uva era uma festa, com cantos e danças. Foi daí que se originou o cântico da vinha, usado pelo profeta Isaías. Ele compara o povo de Israel com uma videira (Is 5,1-7; 27,2-5; Sl 80,9-19). Antes dele, o profeta Oséias já tinha comparado Israel a uma vinha exuberante que quanto mais produzia frutos, mais multiplicava suas idolatrias (Os 10,1). Este tema foi também utilizado por Jeremias, que comparou Israel a uma vinha bastarda (Jr 2,21), da qual seriam arrancados os ramos (Jr 5,10; 6,9). Jeremias usa estes símbolos porque ele mesmo teve uma vinha que foi pisada e devastada pelos invasores (Jr 12,10). Durante o cativeiro da Babilônia, Ezequiel usou o símbolo da videira para denunciar a infidelidade do povo de Israel. Ele contou três parábolas sobre a videira: 1) A videira queimada que já não serve mais para coisa alguma (Ez 15,1-8); 2) A videira falsa plantada e protegida por duas águias, símbolos dos reis da Babilônia e do Egito, inimigos de Israel (Ez 17,1-10). 3) A videira destruída pelo vento oriental, imagem do cativeiro da Babilônia (Ez 19,10-14). A comparação da videira foi usada por Jesus em várias parábolas: os trabalhadores da vinha (Mt 21,1-16); os dois filhos que devem trabalhar na vinha (Mt 21,33-32); os que arrendaram uma vinha, não pagaram ao dono, espancaram seus servos e mataram seu filho (Mt 21,33-45); a figueira estéril plantada na vinha (Lc 13,6-9); a videira e os ramos (Jo 15,1-17).

4) Para confronto pessoal
1. Somos amigos e não empregados. Como vivo isto no meu relacionamento com as pessoas?
2. Amar como Jesus nos amou. Como cresce em mim este ideal do amor?

5) Oração final

Dia após dia anunciai sua salvação,
manifestai a sua glória entre as nações,
e entre os povos do universo seus prodígios! (Sl 95, 3)